Maria da Penha

Maria da Penha

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ofuscou

O que você fez com a sua vida?
Cada atitude foi diminuindo o seu brilho,
Mas, você achou que estava tudo controlado,
Tudo aconteceu muito rápido
Você não percebeu o que vivia.
Os atos não foram planejados
E o dimmer movimentava-se a cada dia.
Sei que você existe e está no mesmo lugar
Como um objeto, ofuscado.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Estética

Estás linda, estás magra e eu gorda!
Estás linda, estás gorda e eu macérrima!
Então, quem é a mais linda, a mais atraente?
A gorda infeliz por não ser magra?
A magra com o mesmo presságio da gorda?
O hipopótamo fêmea é feia por ser gorda?
A libélula é horrenda por sua magreza?
Não, ambas são lindas.
Elas possuem o próprio palco para desfilar,
Não vivem da ovação iniludível,
Possuem originalidade. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Invídia

Estou tão longe,
Longe dos espíritos maus
Mas, que possuem uma fúria de bestas,
Que ecoam sons a esgoelar.

Esbravejam o meu nome
Na esperança de secá-lo
Com um amor de inveja
Prestes a lhes trucidar.

Não, não mereço tanto amor assim,
Não mereço que vivam a mim,
Não se degolem ainda
A hora não se faz.

Sei que sou este mal necessário
Que suplanta os desejos
Alimentando ódios
Nas meninas dos olhos.

É sofrimento que abunda
Nos sorrateiros
Que não possuem espírito próprio
Desejando ser a mim, por inteiros.

Ainda hão de se enganar,
Competir com a minha valente alma
Requer hercúleo esforço, e o meu espírito,
Não lhes irão encarnar.

sábado, 24 de agosto de 2013

Promessa

Prometi! Então, não vá me deixar,
O resto são as queixas
Para suportar as madeixas
Que passaram em suas mãos.

Promessa feita
Não admite desleixo
Tem de cumpri-la com respeito
Só assim, cura o desfecho.

É promessa sob medida,
Que encerrará a paciente espera
Acender-se-ão as velas
E apagará a volatilidade da vida vivida.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Desejas-me

Desejas-me como quem deseja colher camélias em vasos de varanda
Como quem sonha em surfar na mais alta das ondas
Ou escalar a mais íngreme montanha.

Desejas-me como quem deseja chegar por teletransporte
Como quem conta com a sorte
Ou desconsidera a morte.

Desejas-me pela ilusão do querer
Pela fantasia do ego
Ou imanência e transcendência de poder.

Desejas-me sem as camélias
Cingido pela epopeia
Transmutado pelo épico.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sem fim

O que você está fazendo aí parado em pé?
Para onde te levará essa fila?
Você tem certeza se ela terminará?
Sabe o que irá encontrar?
Sinto que você está bastante ansioso
Observando e esticando o pescoço
E é uma fila indiana
Parece mais uma romaria.
Suas mãos estão suadas?
Porque o seu corpo se move constantemente?
Será algo que você não poderá perder?
Existe uma hora marcada para chegar ao fim da fila?
Você está entorpecido por isso?
Tem de alcançar?
Você agora externa pela face certa raiva
Seu semblante mudou muito,
Foi pela certeza das vozes em sua mente,
Que disseram que não mais chegaria?
Agora você está agonizando na fila,
E olha para trás
Não existe mais ninguém?
A fila anda lentamente e você é o último da fila?
Não adianta se penalizar
Nada mais fará diferença,
Você se apossou da fila errada
Ela não tem fim nem começo
É uma fila em espiral, infinita.

Sua existência

Sua existência me conforta
Não importando saber se você,
Está rico ou pobre
Magro ou gordo
Com a aparência mais jovem ou envelhecida
Feliz ou infeliz
Acompanhado ou só
Viajando ou enclausurado
Comendo ou minguando
Nervoso ou apático
Com saudade ou desprezando
Drogado ou de cara
Orando ou resmungando
Sendo assim ou assado.
Assando.
O que mais me importa
É você existir,
Para que não desapareça
Este ser inconsequente
Que se tornou a minha fonte inspiradora
Dos meus momentos mais sublimes
Em que deslizo os meus dedos no teclado
Criando poesias.