terça-feira, 12 de junho de 2012

Não pode ser meu

O homem que esquece a poesia
Esquece os gestos e as manias
Dilacera com os ancestrais.

O homem que se passa pelo capricho
Esquece a filosofia
Quebra os cristais.

O homem que se derrama em lágrimas
Mas se esquece da sociologia
Dilacera com a dicotomia.

O homem que dramatiza uma história
Esquece que na luta pode-se chegar à vitória
Mortifica a glória.

O homem que foge da realidade
Luta pela unicidade
Difama sentimentos da igualdade.

O homem que utiliza o seu olho cego
Vagueia na hipotética realidade
Rasga as páginas da história.

O homem que se esquece da empatia simbiótica
Relega as variáveis pela ausência do evento
Desvia a relevância.

O homem que rompe com a pintura abstrata
Deseja o que vê
Perde a imaginação.

O homem que a isto demonstra
Acomoda-se na ignorância
Rompe com a esperança.

O homem que ignora a realidade
Desconsidera o papel que o caos inevitável tem
Conjectura outra objeção.

O homem que se exime de toda culpa
Extingue a projeção imaginária
Elucubra em si.

O homem que imagina possuir com perfeição destinada
Esquece experiências compartilhadas
Despedaça o brio do porvir.

O homem que assim se coloca
Torna-se acre e esmaece à conquista.
E qualquer paixão lhe diverte.

O homem com essas atitudes
Perde todas as suas posses
E chora desgraçado.

Este homem não pode ser meu.

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