Maria da Penha

Maria da Penha

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Mais no menos

Como eu gostaria de pensar menos
Imaginar, sonhar e acreditar menos
Ser menos humana e mais racional
Principalmente no perdão, menos
Gostaria de ser como as pessoas me imaginam
Menos...
Mas estou aqui novamente
A pensar, imaginar, sonhar, acreditar e perdoar
Mais e mais...
Nunca vou aprender e ser menos
Continuarei a sofrer
Eternamente, mais.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Perdido

O que perdi, perdido está
não farei nenhum esforço para encontrar.
Quem achar que faça bom uso
mas aviso...
em perfeito estado não está.
Foram anos e anos de uso
se moldou a minha forma
harmonizou aos meus atributos
vai ser chato consertar.
Se for de alguma utilidade
por nunca ter possuído
o achado que foi perdido
empenha-se e verá.
Seja preciso, habilidoso
tente reformar.
Depois, alucine na dialética
do meu capitalismo tosco
a Mais-Valia do seu esforço.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O nada

Se acha que lhe devo algum dinheiro,
envia a cobrança que eu pago.
Se me disser que lhe devo a sua vida
peço que coloque o seu preço.
Se me falar que a sua vida não tem preço e sim valor,
Sinto muitíssimo,
não haverá resgate.

Covarde demência

Tenho a sua imagem gravada
bem aqui em minhas retinas
imagens belas e horrendas
imagens em que você se encontra amordaçado
reprimido de exprimir sua opinião
consentindo que façam de você marionete e
entende como virtude, a demência frustrante de outrem sobre si
sem força moral, sem personalidade ou senso de justiça.
Agindo em bando, sabe que sua atitude não vai ser repreendida.
Não se defende, manipulado pela sua covardia.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Mudez

Telefonas-me somente para ouvir a minha voz?
Um alô, um olá de uma voz rouca
Isso te satisfaz?
Ou estás a querer saber por onde ando
A me vigiar
Não te preocupes
Não irei a nenhum lugar.
Meu mundo é pequeno
Viajo muito na imaginação
Sou mais pensamento
Pouca ação.
Não deves me cobiçar
Pensamento é veneno
E pode te intoxicar.

Embaixo do Equador

No Brasil é assim
Três meses de bom tempo
Nove meses de inferno
Porém, colonizadores aqui chegaram
Inteligentes como eram
Ao invés de tirarem os agasalhos
Vestiram os Tupiniquins
Fomos ul-trajados a rigor
Brasileiro que se preze
Não camufla a sua beleza
Mantém a sua frescura e pureza
Embaixo, nesse hemisfério
é povo que anda nu.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Reflexo

Como posso deixar de te amar
Se tens olhos somente para mim?
Chego perto de ti e sorrio
Tu sorris.
Faço caras e bocas
Todos os tipos de trejeitos
Alegrias, tristezas
Mostro-te as minhas rugas
e incertezas
E tu, imitas-me.
Dou-te as costas
Vou-me embora
Tu, nem tá aí.
Como posso deixar de te amar?
Se volto mais velha e sorrio
Tu sorris.