Maria da Penha

Maria da Penha

sábado, 24 de janeiro de 2026

Nirvana dos escombros

Este nirvana é um abismo calmo,

um silêncio que abafou o grito.

É a raiz que sonda o vazio

na terra árida e tolhida.


Sob a lâmina das cobranças,

cresci em solo de desamparo,

e o colo que a noite pedia

virou pó dentro do peito amargo.


Na adulta que não conquista,

só resta o sabor letárgico

de tentar ser o que esperam

e ainda carregar o fardo.


É o nirvana da decepção,

da alma inquieta e torta,

um céu de nuvens pesadas,

um porto que não aporta.


É raiva que não se grita,

desamparo enraizado.

É buscar um pouco de abrigo

e achar o mundo trancado.


E se paz existe em algum lugar,

não é aqui, não é nesta dor.

É só o vestígio da ressaca

de um amor que não veio, doutor.

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