Desde menina me chamaram "doidinha",
como se riscar o céu com giz colorido
fosse sintoma, não poesia.
Cresci, e o apelido envelheceu comigo,
"louquinha" agora, com um sorriso condescendente,
como se toda verdade dita fosse acidente,
toda paixão exagerada,
toda entrega... ingenuidade.
Que maldição é essa que carrego?
Ser transparente em um mundo de vidros fumê,
ofertar abraços em tempos de selfies,
falar em versos quando todos negociam
em prosa vazia.
As amizades murcham,
minhas raízes são fundas demais
para vasos de plástico.
Sou terra úmida em deserto de aparências,
água corrente que assusta quem só bebe
em copos descartáveis.
Não, não sou louca.
Sou um ciclone de autenticidade
em tempos de brisas controladas.
Meu crime? Amar sem manual,
confiar sem seguro,
existir sem disfarces.
O inferno não é ser como sou
é viver entre fantasmas
que se dizem pessoas.
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