Maria da Penha

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Libertação do ser

Quando o véu se esgarça,  

e o mundo perde suas cores emprestadas,  

a liberdade não é um rio,  

mas o oceano que não pede licença  

para ser vasto, profundo, salgado.  


Não há mais rédeas,  

nem mapas desenhados por mãos alheias.  

As regras, outrora prisões,  

agora são cinzas ao vento,  

e os valores, sombras desbotadas,  

refletem apenas o vazio que habita  

o cerne de tudo.  


É aqui, no abismo sem fundo,  

que o ser se revela:  

niilista, agnóstica,  

desnuda de certezas e dogmas.  

Não há mais o ter que,  

apenas o poder ser.  

E ser é existir sem véus,  

sem máscaras,  

sem a necessidade de pertencer  

a qualquer coisa que não si mesma.  


A liberdade chega como um silêncio,  

um eco que não responde,  

um horizonte que não promete.  

E no meio desse vazio,  

o ser se encontra,  

não como um ponto fixo,  

mas como uma dança contínua,  

uma chama que arde sem motivo,  

sem destino,  

apenas porque existe.  


E assim, no caos da existência,  

no deserto sem deuses ou sentidos,  

o ser se faz inteiro,  

não pelo que tem,  

mas pelo que é:  

livre,  

desamarrada,  

e infinitamente sua.  


Maria da Penha Boina Dalvi 

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