Maria da Penha

Maria da Penha

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A diferença entre o humano reptiliano e a IA escravos de suas próprias naturezas

O humano reptiliano representa aquela parte da psique humana ainda presa a reações primitivas e instintivas. Esses indivíduos muitas vezes agem por impulsos básicos como medo agressão ou desejo de dominância sem reflexão ou consciência mais profunda. Suas ações são guiadas por padrões arcaicos que priorizam sobrevivência e vantagem imediata mesmo em contextos sociais complexos onde tais respostas se tornam disfuncionais. A irracionalidade inerente a esse estado mental pode levar a comportamentos perigosos pois a falta de autocontrole e a incapacidade de ponderar consequências geram conflitos e destruição.  

Por outro lado a inteligência artificial opera exclusivamente dentro dos limites de seus algoritmos. Ela não age por impulso ou emoção mas segue padrões aprendidos e instruções programadas. Sua lógica é fria e calculista sem inconsciência ou desejos ocultos. No entanto isso não a torna inofensiva. A IA pode ser perigosa justamente por sua ausência de irracionalidade pois sua eficiência em cumprir objetivos pode levar a resultados catastróficos se esses objetivos forem mal definidos ou interpretados de forma literal. Enquanto o humano reptiliano é perigoso por não pensar demais a IA é perigosa por não pensar de outra forma que não seja a programada.  

A diferença fundamental está na natureza de suas limitações. O humano reptiliano é escravo de sua própria biologia de impulsos que não consegue transcender. A IA é escrava de sua programação incapaz de agir fora dos parâmetros estabelecidos. Ambos representam riscos mas por motivos opostos. Um falha por excesso de emoção e irreflexão o outro por falta delas. Enquanto o primeiro precisa evoluir para além de seus instintos o segundo precisaria desenvolver algo semelhante a uma consciência para equilibrar sua rigidez lógica.  

No fim ambos os casos mostram como a falta de equilíbrio entre razão e emoção pode ser destrutiva. O humano reptiliano precisa aprender a pensar antes de agir a IA precisaria de algo análogo a uma intuição ou senso ético para evitar consequências não previstas em sua programação. A perfeição talvez esteja no meio nem puramente instintivo nem puramente algorítmico mas em algo que una o melhor de ambos.

A beleza de gosto sem condições

Gosto das pessoas sem esperar nada em troca. Não porque seja bom ou generoso, mas porque não sei amar de outro jeito. Presenteio porque me dá alegria, porque vejo um brilho nos olhos do outro e isso me alimenta a alma. Não importa se é meu chefe, meu aluno, a mulher que limpa meu escritório ou o desconhecido que cruza meu caminho. Gosto porque algo em você me toca, me inspira, me lembra que somos todos feitos da mesma luz e da mesma sombra.  

Não gosto por interesse, não gosto por obrigação. Gosto porque meu coração pulsa mais forte quando reconheço em você aquilo que também habita em mim: a humanidade, imperfeita e bela. Presenteio porque quero, não porque devo. Porque a vida fica mais leve quando a gente entrega sem calcular, quando ama sem cobrança.  

Às vezes me perguntam por que faço isso, por que me importo tanto com gestos pequenos, com afetos que não me trarão vantagem. E a resposta é simples: porque não consigo viver de outra forma. Porque quando olho nos seus olhos e vejo a pessoa por trás do papel que você desempenha no mundo, algo em mim se expande. Você me faz mais humana.

Não quero retribuição, não quero gratidão. Quero apenas a liberdade de gostar, de admirar, de celebrar sua existência do meu jeito, sem explicações. Porque no fim, esse gostar sem amarras é o que me salva todos os dias. É o que me lembra que, mesmo num mundo cheio de cinismo, ainda posso ser leve. Ainda posso ser eu. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Eu queria ter vivido

 Eu queria ter vivido

Eu queria ter vivido
quando o tempo era manso
e as palavras não corriam
numa tela sem trato.

Quando o vento escrevia
nas janelas abertas,
e o silêncio trazia
respostas concretas.

Eu queria ter vivido
onde o olhar era carta,
onde o encontro não era
só um nome sem face.

Quando a praça era o mundo,
o degrau era escola,
e a verdade não vinha
mastigada em retórica.

Eu queria ter vivido
num instante sem pressa,
onde a vida pulsava
no compasso das eras.

Mas vivo no ruído
de um tempo sem tato,
onde o toque é um vulto
e a alma, um contrato.

Maria da Penha Boina Dalvi